segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Rota de fuga


Olhos perdidos
Oásis de carne
Tiro ao alvo-
nosso de cada dia,
Deixe esconder-me
no espaço estreito,
Sente-se em cima
Desse sentimento
de solidão
E leve-me
embora
daqui.

sábado, 7 de novembro de 2009

Calor


Ontem a noite, dormi com ela do meu lado... Com sua cor escura... Ai! Era tão irresistivel... Botava a boca toda hora... E ela, ali... Ao meu dispor... Me enchendo de prazer... Matando essa sede, quase infinita... Arrotava e coçava minha barriga, satisfeito... Enquanto acariciava seu corpo macio de plástico...

O muso inspirador



O ônibus sacolejava, o japonês girava seu chaveiro, inquieto. Ele procurava por algo, examinava os rostos. Um rapaz gordinho, suado e exausto se senta a sua frente. O japonês estava de pé, e seus olhinhos puxados se abriram , admirados. Tirou um caderninho da mochila e uma caneta, e se pôs a rabiscar, enquanto mirava seu alvo. O gordinho fingia não notar, mas com o rabo do olho, obsevava o japonês que o comia com seus olhinhos orientais. O gordinho começa a se mexer, fingindo nada ver, mas exasperado, pois não havia para onde fugir naquela lata de sardinhas humanas.

As solas do peregrino


A imundície
do caminho
beija a sola
do peregrino,
O calcanhar
e a sujeira
são um só,
A dor e a fé
tambem,
Vejo-o
rezando
sob os joelhos
esfolados,
E rezo
sob suas solas
trevosas de
noite sem luar,
Minhas lágrimas
sobre elas
fazendo-se
estrelas,
Esperança não
se perde,
Apenas
fluídos corporais

sábado, 31 de outubro de 2009

A cidade me consome


Ela acaba com minhas forças,
Me cega, com suas luzes tão falsas
A cidade me consome
Me aspira
Com suas narinas imundas,
Narinas-Esquinas e becos cheios
de perversão e vicio,
Eu a amo e a odeio
Passo roçando seus muros pichados,
Excitado e mergulhado em horror
Os meninos-cola são parte da paisagem
Sou empurrado aos gritos de "Ó o rapa!"
Fico perdido,
com meu produto pirata na mão,
Sou parte do crime, e finjo olhar a vitrine
Mas no fim, nada tem importância
A cidade se consumirá em si mesma,
E eu sou apenas um pedaço de carne
No turbilhão acinzentado!

O poeta e o passarinho



Ah! Dias de calor!
Coloquei a camisa mais fresca
De um branco imaculado!
Eis que vem o passarinho
Alegremente, a me cagar!
Morte ao passarinho!
Ai! Minha camisa limpa!
Agora, com esta mancha marrom
Ah! Se pego este passarinho!
Senhor! Perdoa-me a crueldade
Sei que é criaturinha de teu reino
Graciosa e cantarolante
Mas, no momento, só pensar
Onde está o estilingue?
Morte ao passarinho!

Imaterial


Com estupor, reconheço
A Poesia é o que resta!
Não existe o amor para quem o entende!
É vão o esforço da procura!
Todos tão loucos, obcecados pela Beleza!
E ela é um quadro antigo
Cujas cores somem, ao contato de dedos ansiosos!
O ouro é belo, mas é vil
O sangue é derramado e não sobra nada,
Somente uma caveira de sorriso fixo
Quilos e quilos de cal
e náusea!
Onde estão os anjos?
Porque não embalam minh'alma com seu canto?
Haverão só as blasfêmias que os demônios vociferam?
Quero a luz imaterial!
Não a chama futil, perante o ídolo mudo!
Beijo humildemente a mão
De cada espirito antigo, que me compreenda!